Economia enfrenta abrandamento mundial

Depois de uma crise em que o endividamento de famílias, empresas e Estado desempenharam um papel crucial, o aumento das exportações surgiu como a única receita disponível para trazer a economia portuguesa de volta ao crescimento. Mas agora, com as exportações a registarem o maior peso no PIB dos últimos 65 anos, o país pode estar prestes a provar o sabor amargo deste remédio, enfrentando pela primeira vez desde que a troika saiu do país um desafio: como continuar a crescer com base nas exportações, quando o resto do mundo deixa de querer aumentar as suas compras.

Nos últimos meses, a economia mundial tem, um pouco por todo o lado, dado sinais claros de estar a entrar numa fase de abrandamento. Em alguns países europeus, importantes destinos das exportações portuguesas, assiste-se mesmo ao risco de entrada em recessão técnica.

Brexit sem acordo “seria um choque”

Mário Centeno garantiu que a União Europeia está a preparar-se para “todos os cenários possíveis” em relação à saída do Reino Unido sem acordo. Para logo acrescentar que é preciso evitar esse cenário. “Será negativo não só para a União Europeia mas particularmente para o Reino Unido. Todos devem trabalhar para evitar isso”.

Questionado sobre a probabilidade de isso acontecer, Centeno afirmou que é preciso manter o otimismo enquanto a discussão estiver em cima da mesa. “Acho que a “probabilidade de isso acontecer (Brexit sem acordo) é muito pequena. Seria um choque muito negativo para a economia. Mas devemos tomar as medidas necessárias” para esse cenário.